Restaurante na sala de jantar – Revista Época
Restaurante na sala de jantar
Mania em Nova York, os speakeasies, estabelecimentos clandestinos – e sofisticados – em residências comuns começam a ganhar adeptos no Brasil
Andres Vera
Mania em Nova York, os speakeasies, estabelecimentos clandestinos – e sofisticados – em residências comuns começam a ganhar adeptos no Brasil
Andres Vera
Um jantar no apartamento de Jeremy Townsend, do Ghetto Gourmet.A comida é boa e a formalidade zero.
Todo mundo já ouviu falar de restaurantes exclusivíssimos, que exigem reservas com semanas de antecedência. Poucos, porém, já foram a algum que funcione dentro de uma residência comum e só receba clientes convidados. Eles costumam se esconder atrás de fachadas discretas em grandes cidades ou dentro de condomínios residenciais em bairros de subúrbio. É como se no apartamento de seu vizinho uma clientela Vip estivesse saboreando um jantar digno dos restaurantes mais estrelados – e caro.
Esse tipo de restaurante é mania na Europa e nos Estados Unidos, berço do movimento batizado como The Ghetto Gourmet. “As pessoas se cansaram da fórmula tradicional”, disse Jeremy Townsend a ÉPOCA (leia abaixo). Segundo ele, o que os gourmets buscam é um lugar onde se sintam em casa para comer e beber entre amigos, sem a ostentação dos restaurantes caros, mas com o mesmo tipo de cozinha refinada. Pouco importa que esses lugares não tenham licença para funcionar.
Os restaurantes underground, como são chamados, reúnem o espírito da confraria gastronômica ao charme da transgressão secreta…
…Esse tipo de casa começou a virar uma opção de negócio para chefs de cozinha que cansaram da vida dura dos restaurantes convencionais. É o caso de Michael Hebberoy, chef que abandonou seu bistrô em Portland, nos Estados Unidos, para se dedicar ao improviso do speakeasy. Quando começou a reunir comensais na sala de jantar de um minúsculo apartamento alugado…
…A maior crítica de Hebberoy é em relação à sisudez dos restaurantes, onde a promessa de satisfação à mesa foi aos poucos trocada pelo excesso de formalidade e pelo esnobismo – o que não combina com o prazer.
“É bem melhor comer bem num ambiente realmente confortável, como sua casa”, diz. Críticos de gastronomia já têm publicado resenhas de casas clandestinas. A tendência nem sempre é vista com bons olhos. “Esses lugares podem replicar o jeito excludente de qualquer casa noturna chata”, diz Ligaya Mishan, da revista New Yorker.
“É bem melhor comer bem num ambiente realmente confortável, como sua casa”, diz. Críticos de gastronomia já têm publicado resenhas de casas clandestinas. A tendência nem sempre é vista com bons olhos. “Esses lugares podem replicar o jeito excludente de qualquer casa noturna chata”, diz Ligaya Mishan, da revista New Yorker.
A onda já chegou ao Brasil. Em São Paulo, já é possível encontrar comida mexicana, festivais de paella espanhola e até sobremesas francesas na casa de gente que recebe amigos e desconhecidos pelo menos uma vez por mês. “Um restaurante é impessoal. Minha casa com lareira, não”, diz a chef Flavia Greco. No mês passado, ela abriu as portas da casa para uma degustação de sopas e cremes. Os convites foram enviados por e-mail apenas a conhecidos.
O mais famoso dos speakeasies paulistanos funciona às quintas-feiras no ateliê de restauração de livros da artista plástica Liège Monteiro. No andar de cima de seu sobrado, em São Paulo, ficam os quartos e banheiros de uma casa comum. Nas salas do piso térreo, porém, até cem pessoas se aglomeram em busca de petiscos e caipirinhas. “Não fiz nada de especial, e minha casa virou uma tendência”, diz Liège, em tom de surpresa. Ainda que uma banda toque ao vivo, o ambiente tem uma evocativa sensação de “lar”. Por enquanto, o lugar é um charmoso “fora da lei”.

1 comentários:
Muito bom!
Postar um comentário